“Tempo de transformação e criatividade”

Normalmente, quando se fala ou pensa na origem dos humanos, existe uma fixação em pensar nos macacos e, eventualmente, nos animais subaquáticos.

Mas a origem dos seres humanos está em outro lugar, um lugar não humano e não desumano. O encontro que produziu vida na face da Terra se deu entre elementos que existiam há pelo menos 4 bilhões de anos, entre os detritos de uma explosão super-nova. O período chamado Hadean[1], quando aparentemente tudo começou na Terra.

Então, começo este artigo defendendo uma questão real que está presente em todos, na carne, no osso e na subjetividade.

Algo que…


Introdução:

Adão e Eva viveram aparentemente muito bem no Paraíso. Transando “divinamente”.

Surge uma tentação, Eva se interessa, oferece a Adão que aceita de boa vontade, os dois se “descobrem”, começam a curtir, são expulsos e morrem de vergonha de estarem descobertos.

São punidos: ela com a “dor do parto” e a subserviência como consequência do “pecado, ele como o responsável por ter “comido” a gostosa maçã, vai ocupar um lugar de intensa demanda, lugar de macho.

A subserviência da mulher ao homem e a si mesma é onde começa a “inexistência da mulher”, conforme aforismo de Lacan: “A mulher…


“during all times and epidemic times”

Let’s begin our conversation with this introduction by Italian philosopher Umberto Galimberti:

Technique has become the subject of history, whereas man has become an operator of technical apparatus. Is it hard to understand? Technique becomes a subjectivity in us.

In a way we can say that technique is the essence of man, for the simple reason that human beings do not have instincts; instinct means a rigid response, and I stress the adjective rigid. If I give a cow a piece of meat, the cow will not eat it.

If, in contrast, I give…


Resonance: the art of co-existing

Spinoza speculated that if the nature of someone else’s body is like the nature of your own body, so our ideas about someone else’s body, the way we imagine it, will involve an affection of our own body with the affection of another person’s body. Consequently, if we feel someone, like us, can be affected by an affect, this idea will express an affection of our own body, as well as someone else’s.

In psychotherapy, resonance is non-verbal communication. Some authors use different names: for Wilhelm Reich, it is Vegetative Identification; for Jay Stattman, Organic…


Ressonância: a arte de com-viver

Espinosa especulou que se a natureza do corpo de uma outra pessoa é como a natureza de seu próprio corpo, então nossas idéias do corpo da outra pessoa, como nós o imaginamos, vai envolver uma afecção de nosso corpo com a afecção do outro corpo. Conseqüentemente, se nós sentimos alguém, como nós, ser afetado por algum afeto, esta imaginação expressará uma afecção de nosso próprio corpo, assim como a do outro.

Em psicoterapia ressonância é comunicação não-verbal. Alguns autores, se referem com diferentes nomes: para Wilhelm Reich: Indentificação Vegetativa, para Jay Stattman: Transferência Orgânica, para…


INSTINTO, TECNOLOGIA E AMOR

foto de autor na Bienal de Veneza 2019
foto de autor na Bienal de Veneza 2019

Vamos começar nossa conversa a partir dessa introdução do filósofo italiano Umberto Galimberti:

A técnica tornou-se o sujeito da história, enquanto que o homem se tornou um operador dos aparatos técnicos. É difícil de entender? A técnica passa a ser uma subjetividade na gente.

Pois bem, de um certo modo pode-se dizer que a técnica é a essência do homem, pela simples razão que o homem não tem instinto, o instinto significa uma resposta rígida e sublinho o adjetivo rígido. Se dou um pedaço de carne a uma vaca, a vaca não a come.

Se ao contrário lhe dou um…


Não tem jeitinho nem jeitão, quanto menos "foda-se"

Esse mês eu li “A Bailarina de Auschwitz”, cujo título original não é esse e sim: “A Escolha: escapando do passado e abraçando o futuro”. O título original faz muito mais sentido, e aliás era o objetivo da autora, querendo mostrar que as escolhas se fazem nos mais variados níveis, sejam mentais, emocionais ou gestuais.

As situações de stress, que podem levar ao burnout, pressionam nossas escolhas, mas jamais a determinam.

O título em português é uma ponta no iceberg da intensa vida da autora hoje com 96 anos, e não representa…


Rubens Kignel — Tokyo — 2008
Rubens Kignel — Tokyo — 2008

Um corpo, muitas possibilidades

Trauma, corpo e psiquê

No modelo da Biossistêmica, que deriva do referencial reichiano, não apenas o corpo e sua maneira de funcionar são focados, mas também e de modo essencial, as condições com que trava relações humanas

Por Rubens Kignel

Rubens Kignel é professor, psicoterapeuta, palestrante e pesquisador. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC SP e doutorando em Comunicação e Semiótica na Universidade de Bolonha (Itália), é também pesquisador do Laboratório de Inteligência Coletiva (www.linc.org.br) da PUC SP e de um grupo de atuação e pesquisas com grupos de índios do alto Amazonas. Lidera grupos…


Rubens Kignel
Rubens Kignel

"Psicoterapia, uma experiência importante".

O que é e por que psicoterapia:

Vamos começar de modo simples: “terapia” vem da palavra “therapea” em grego e quer dizer cuidar e ser cuidadoso.

O teatro de Dionísio na Grécia antiga, era um teatro em que o ator procurava uma forma de provocar no público uma ressonância afetiva, emocional ou física de forma que as pessoas entrassem num processo de transformação.

Chamavam isso de catarse, que é um estado de libertação psíquica, emocional que uma pessoa pode vivenciar superando situações repressivas, fóbicas ou outras perturbações, além de tomar um conhecimento maior de si mesmo.


A CORRIDA DO HAMSTER e o BURNOUT

Rubens Kignel

O hamster, esse tipo ratinho, que aparentemente alegra a vida doméstica de muitas pessoas, corre e corre no seu brinquedo de roda, sem chegar a lugar algum. É só um exercício de esgotamento, sem a menor esperança de alguma liberdade.

Na perspectiva do pesquisador alemão Hartmut Rosa, professor de sociologia na Alemanha, o burnout ou extremo cansaço não é causado por muito trabalho, nem pela imposição de um andar mais rápido, mas pela ausência de qualquer direção à qual se dirigir.

Somos levados sem saber para onde, inconscientemente desesperados, acreditando que…

Rubens Kignel

Professor e Psicoterapeuta, Dr. em Comunicação e Semiótica (Universidade de Bologna). Ensina do Brasil, Europa, Japão nos últimos 40 anos.

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